Michael Gibson* entrevista Michael Reardon#, investigador responsável pela apresentação dos dados de 5 anos do estudo Low Risk no ACC 2025. O estudo traz uma análise detalhada e comparativa entre TAVI e cirurgia em pacientes com estenose aórtica grave e baixo risco cirúrgico. Para mais detalhes, acesse o link e confira o conteúdo completo!
*Médico Cardiologista Intervencionista, Criador do site clinicaltrialresults.org, Fundador do WikiDoc.org e WikiPatient.org e Correspondente Médico-Chefe do American College of Cardiology
#Médico Cardiologista Houston Methodist Hospital e Professor Clínico de Cirurgia Cardiotorácica no MD Anderson Cancer Center
Durante o segundo dia do ACC 2025, o Dr. Michael Reardon apresentou os dados de cinco anos do estudo Low Risk1, que comparou a terapia transcateter da valva aórtica (TAVI, do inglês TAVR – Transcatheter Aortic Valve Replacement) com a substituição cirúrgica da valva aórtica (SAVR) em pacientes com estenose aórtica grave e baixo risco cirúrgico. O estudo, que já havia demonstrado vantagens iniciais da TAVI em sobrevida, recuperação e incidência de acidente vascular cerebral (AVC) nos primeiros anos2, mostrou agora que, aos cinco anos, a estratégia transcateter continua se mantendo não inferior à cirurgia. Embora a curva de sobrevida tenha começado a se aproximar entre os grupos entre o quarto e o quinto ano, a TAVI manteve melhores resultados em mortalidade cardiovascular, com aumento do delta de 1,1% para 2,1% a favor da TAVI. Já a mortalidade por causas não cardiovasculares, como câncer, sepse ou complicações respiratórias, apresentou oscilações entre os grupos, sugerindo que essas diferenças podem ser atribuídas a variações amostrais e fatores não controláveis.
O estudo também indicou baixa incidência de regurgitação paravalvar significativa no grupo TAVI, com 86% dos pacientes sem traços de regurgitação e 14% com regurgitação leve. Não houve diferença nas taxas de reintervenção entre os grupos, sendo que a maioria dos procedimentos de reintervenção foi realizada por cirurgia em ambos os braços e as taxas de mortalidade após reintervenção foram semelhantes. A fibrilação atrial, complicação comum após cirurgia, foi ausente no grupo TAVI. Além disso, o grupo TAVI apresentou parâmetros hemodinâmicos superiores de forma sustentada, com menor gradiente valvar médio e maior área do orifício efetivo. Aos cinco anos, não houve diferença significativa na qualidade de vida ou no status funcional entre os grupos, com mais de 70% dos pacientes vivos e com escore KCCQ superior a 75.
Segundo o Dr. Reardon, os dados reforçam que a TAVI continua sendo uma opção segura e eficaz para pacientes com estenose aórtica e baixo risco cirúrgico, especialmente com o uso da válvula autoexpansível Evolut. Ele destacou a importância do seguimento contínuo e transparente, com planos de acompanhamento até 10 anos e atualizações anuais, considerando que esses são pacientes mais jovens e que convivem com dispositivos implantáveis permanentemente. Os resultados sustentam a durabilidade, segurança e performance clínica da TAVI no cenário de baixo risco, mantendo-a como alternativa sólida à cirurgia tradicional.