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DARE-19: dapagliflozina na insuficiência respiratória em pacientes com COVID-19

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Ensaio demonstrou que a droga não foi superior ao placebo na redução de disfunção orgânica ou mortalidade em pacientes com IC infectados pelo vírus Sars-CoV-2

Revisado por MDHealth 

A COVID-19 continua sendo tema nos principais congressos mundiais, e na Annual Scientific Session 2021 do American College of Cardiology (ACC) não foi diferente. Um dos trabalhos mais comentados durante o evento foi o DARE-19, um ensaio clínico duplo-cego randomizado que avaliou o uso da dapagliflozina em pacientes internados com insuficiência respiratória por COVID-19. A intenção do estudo foi avaliar se os efeitos protetores cardiovasculares e metabólicos da medicação também ocorrem nesse grupo de pacientes. 

Foram incluídos no estudo pacientes com diagnóstico suspeito ou confirmado de COVID-19, com início de sintomas em até quatro dias antes da avaliação, portadores de ao menos um fator de risco cardiovascular (HAS, DM2, IC, DRC, aterosclerose) e que mantinham saturação de O2 de pelo menos 94% com não mais que 5L/min de O2. Foram excluídos os pacientes críticos, em insuficiência renal, portadores de DM1 e com história prévia de cetoacidose diabética. 

Os indivíduos selecionados foram randomizados em uma proporção de 1:1 para receber 10mg de dapagliflozina ou placebo on top do tratamento padrão, e foram seguidos diariamente até a alta ou óbito. 

Os desfechos primários foram compostos de dois grupos: o primeiro avaliou prevenção de disfunção orgânica, definida por necessidade de ventilação mecânica invasiva ou não invasiva, necessidade de vasopressores ou inotrópicos, aumento de pelo menos duas vezes no valor da creatinina sérica ou necessidade de hemodiálise e morte por qualquer causa. O segundo grupo foi constituído por desfechos de recuperação, como estado clínico após 30 dias de follow-up, tempo até a alta, disfunção orgânica e morte.  

Foram avaliados 1.250 pacientes em sete países, sendo a maior parte deles do Brasil (762 pacientes). A idade média foi de 61 anos, o principal fator de risco foi a hipertensão e a saturação média de oxigênio dos pacientes era de 96%.  

Os resultados encontrados não foram tão animadores quanto aqueles apresentados pelo DAPA-HF ou pelo DECLARE: apesar de haver uma diferença numérica, não houve diferença estatisticamente significante no endpoint primário no grupo intervenção em relação ao placebo (HR 0,8, IC95% 0,58-1,10, p=0,168). Quanto ao desfecho secundário de insuficiência renal e morte por todas as causas, tampouco houve diferença entre os grupos (HR 0,74, IC95% 0,50-1,07 e HR 0,77, IC95% 0,52-1,16, respectivamente).  

Como conclusão, os pesquisadores demonstraram que o uso da dapagliflozina em pacientes hospitalizados por COVID-19 não evita progressão para disfunção orgânica ou morte, nem favorece a recuperação, porém parece ser segura e com poucos eventos adversos graves. Em pacientes selecionados, a manutenção da medicação pode ser considerada. 

Referências:  

– Kosiborod M. Dapagliflozin in respiratory failure in patients with COVID-19. ACC Annual Scientific Session. 2021. 

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Dra. Gabriela Prado
Cardiologista pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. Medicina e Residência em Clínica Médica pela UNESP
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