Durante o ACC 2025, o Dr. Matthew J. Budoff apresentou os dados de um estudo piloto randomizado que avaliou os efeitos da colchicina em baixa dose (0,5 mg/dia) na progressão da aterosclerose coronariana1. Em entrevista com o Dr. Michael Gibson, Budoff explicou que o objetivo foi investigar se os efeitos anti-inflamatórios da colchicina poderiam impactar de forma mensurável o volume de placa aterosclerótica. Foram incluídos 84 pacientes ambulatoriais estáveis com doença arterial coronariana (DAC) documentada por angiotomografia coronária (CTA), randomizados para receber colchicina ou placebo.
O desfecho principal foi a mudança no volume total de placa, avaliado por angiotomografia após seguimento. Os resultados mostraram redução significativa do volume total de placa no grupo tratado com colchicina, com tendências à regressão em diferentes componentes da placa, como placa não calcificada, fibrogordurosa e fibrosa. Embora o percentual de volume ateromatoso (PAV) tenha mostrado uma redução inferior a 1%, o Dr. Budoff destacou que essas mudanças, ainda que sutis, são clinicamente relevantes.
O Dr. Budoff sinalizou planos para a condução de um estudo maior, possivelmente em pacientes no pós-síndrome coronariana aguda, onde as mudanças na composição da placa tendem a ser mais rápidas e evidentes. Ele também mencionou a publicação recente do estudo COLCOT2, que demonstrou espessamento da capa fibrosa e estabilização da placa com colchicina em baixa dose, fortalecendo os achados observados neste trabalho piloto.
Segundo Budoff, as evidências em evolução indicam que, além de seu papel anti-inflamatório já consolidado em eventos agudos, a colchicina pode ter efeito direto na estabilização e regressão de placas, reforçando seu potencial como terapia adjuvante na prevenção secundária. O estudo acrescenta mais uma peça ao contínuo avanço da pesquisa sobre colchicina em aterosclerose e doença coronariana.