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quinta-feira abr 3, 2025

ACC2025 | DECODE-CKD: dapagliflozina reduz massa ventricular esquerda em pacientes com DRC

Escrito por: Plataforma Med.IQ em 2 de abril de 2025

2 min de leitura

Durante o ACC 2025, a Dra. Katja Vu Bartholdy apresentou os resultados do estudo DECODE-CKD1, um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, que investigou os efeitos da dapagliflozina (10 mg/dia) sobre marcadores ecocardiográficos de remodelamento cardíaco em pacientes com doença renal crônica (DRC). O objetivo foi compreender os mecanismos subjacentes à proteção cardiovascular conferida pelos inibidores de SGLT2, observada previamente em estudos como DAPA-CKD2, EMPA-KIDNEY3 e CREDENCE4, mas até então pouco explorada do ponto de vista estrutural. 

Foram incluídos 222 pacientes com DRC, definidos por uma taxa de filtração glomerular estimada (eGFR) entre 20 e 60 mL/min/1,73 m² ou, para eGFR ≥ 60, relação albumina/creatinina urinária (UACR) ≥ 200 mg/g em duas medições com intervalo mínimo de 3 meses. Pacientes com diabetes tipo 1, uso prévio recente de SGLT2i, transplantes ou em diálise foram excluídos. Após seis meses de tratamento, os pacientes foram reavaliados por ecocardiografia e exames laboratoriais. 

O desfecho primário foi a variação no índice de massa do ventrículo esquerdo (LVMI). A dapagliflozina foi associada a uma redução significativa do LVMI em comparação ao placebo, com diferença média de –17,5 g/m² (IC95% –24,50 a –10,51; p < 0,001). O efeito foi consistente em todos os subgrupos clínicos avaliados, incluindo fração de ejeção, uso de inibidores do sistema renina-angiotensina, uso de diuréticos de alça, níveis de NT-proBNP, e causa primária da doença renal (incluindo doença policística dos rins, que havia sido excluída em estudos anteriores). 

Em contraste, nenhuma alteração significativa foi observada na função sistólica do VE, nos volumes ventriculares ou no volume do átrio esquerdo, tampouco nos biomarcadores cardíacos (NT-proBNP, troponina), função renal (eGFR) ou UACR ao final do seguimento. Curiosamente, a intensidade da queda de eGFR nos primeiros meses se associou à magnitude da regressão da massa ventricular esquerda, sugerindo uma possível relação entre os efeitos renais e cardíacos do tratamento. 

A Dra. Bartholdy ressaltou que, embora o ecocardiograma não seja uma ferramenta de rotina para todos os pacientes com DRC, este estudo fornece importantes evidências mecanísticas sobre como a dapagliflozina pode atuar na proteção cardiovascular, especialmente em populações frequentemente sub-representadas nos grandes trials, como pacientes com etiologias raras de DRC. Os resultados do DECODE-CKD reforçam o papel dos inibidores de SGLT2 como agentes multifacetados na abordagem do risco cardiovascular em pacientes renais, expandindo nossa compreensão além dos desfechos clínicos tradicionais e apontando caminhos para a inclusão de subgrupos específicos em futuros ensaios clínicos. 

Referência

  1. 1- Katja Vu Bartholdy, Johansen ND, Nino Landler, Skaarup KG, Jensen J, Iain Bressendorff, et al. Effects of Dapagliflozin on EChOcardiographic Measures of CarDiac StructurE and Function in Patients with Chronic Kidney Disease: The DECODE-CKD Trial. Kidney360. 2022 Dec 18;4(2):143–9. doi: 10.34067/KID.0006982022. 

    2- Heerspink HJL, Stefánsson BV, Correa-Rotter R, Chertow GM, Greene T, Hou FF, et al. Dapagliflozin in Patients with Chronic Kidney Disease. New England Journal of Medicine.2020 Sep 24;383(150. doi:10.1056/NEJMoa2024816. 

    3- The EMPA-KIDNEY Collaborative Group. Empagliflozin in Patients with Chronic Kidney Disease. New England Journal of Medicine. 2022 Nov 4;388(2). doi: 10.1056/NEJMoa2204233. 

    ‌4- Perkovic V, Jardine MJ, Neal B, Bompoint S, Heerspink HJL, Charytan DM, et al. Canagliflozin and Renal Outcomes in Type 2 Diabetes and Nephropathy. New England Journal of Medicine. 2019 Jun 13;380(24):2295–306. doi: 10.1056/NEJMoa1811744.