ACC2025 | Estudo STRIDE mostra que semaglutida melhora a capacidade funcional em pacientes com doença arterial periférica e diabetes tipo 2 - MDHealth - Educação Médica Independente
quarta-feira abr 2, 2025

ACC2025 | Estudo STRIDE mostra que semaglutida melhora a capacidade funcional em pacientes com doença arterial periférica e diabetes tipo 2

Escrito por: Plataforma Med.IQ em 2 de abril de 2025

3 min de leitura

No ACC 2025, Dr. Michael Gibson conversa com Dr. Marc Bonaca sobre os achados do estudo STRIDE, que apontam benefícios da semaglutida na distância de caminhada e qualidade de vida. Para saber mais, acesse e confira na íntegra!   

Médico Cardiologista Intervencionista, criador do site clinicaltrialresults.org, fundador do WikiDoc.org e WikiPatient.org e Correspondente Médico-Chefe do American College of Cardiology. 

† Médico Cardiologista, Diretor Executivo do CPC Clinical Research e Diretor de Pesquisa Vascular da University of Colorado School of Medicine. 

Durante o American College of Cardiology 2025 (ACC 2025), o Dr. Michael Gibson conduziu uma discussão ao vivo com o Dr. Marc Bonaca sobre os resultados do estudo STRIDE, recém-publicado no The Lancet. O ensaio clínico de fase 3b investigou o impacto da semaglutida na capacidade de caminhada, sintomas e qualidade de vida de pacientes com doença arterial periférica (DAP) sintomática associada ao diabetes tipo 2 — uma população que sofre com limitação funcional progressiva e opções terapêuticas limitadas. 

O STRIDE foi um estudo multicêntrico, duplo-cego, randomizado e controlado por placebo, conduzido em 112 centros ambulatoriais em 20 países da América do Norte, Europa e Ásia. Participaram 792 indivíduos com diabetes tipo 2 e DAP sintomática (classificação de Fontaine IIa, ou seja, com claudicação intermitente e capacidade de caminhar mais de 200 metros). Os pacientes foram randomizados na proporção 1:1 para receber semaglutida 1,0 mg por via subcutânea semanal ou placebo durante 52 semanas. 

O desfecho primário foi a razão da distância máxima de caminhada em esteira (com velocidade constante de 3,2 km/h e inclinação fixa de 12%) em relação ao valor basal, avaliada na semana 52. Entre os desfechos secundários confirmatórios estavam a distância de caminhada sem dor, qualidade de vida medida pelo questionário VascuQoL-6, e a manutenção dos benefícios após 5 semanas da descontinuação do tratamento. 

Ao final do estudo, a razão mediana da distância máxima de caminhada em relação ao valor basal foi significativamente maior no grupo tratado com semaglutida (1,21 [IQR 0,95–1,55]) do que no grupo placebo (1,08 [0,86–1,36]), com uma razão de tratamento estimada de 1,13 (IC 95% 1,06–1,21; p=0,0004). Em termos absolutos, a mediana da melhora na distância de caminhada foi de 37 metros no grupo semaglutida contra 13 metros no grupo placebo. 

Houve também melhora significativa na distância de caminhada sem dor (razão de 1,21 vs. 1,10; p=0,0046), na pontuação do VascuQoL-6 (mediana de +2 pontos vs. +1 ponto; p=0,011), e redução nos eventos compostos de tratamento de resgate, morte por todas as causas ou eventos adversos maiores nos membros inferiores (4% com semaglutida vs. 8% com placebo; HR 0,46 [IC 95% 0,24–0,84]). 

O perfil de segurança da semaglutida foi compatível com o de estudos anteriores, sem aumento significativo de eventos adversos graves relacionados ao tratamento. Efeitos colaterais gastrointestinais foram os mais frequentes, mas ocorreram em baixa proporção. 

O STRIDE destaca a semaglutida como uma possível nova opção terapêutica para abordar uma das principais manifestações clínicas da DAP: a limitação funcional. Os benefícios observados vão além do controle glicêmico e incluem ganhos objetivos na mobilidade e qualidade de vida, áreas de grande importância clínica e ainda pouco atendidas pela terapia medicamentosa atual. 

Para a discussão completa entre os especialistas, acesse o vídeo. 

Referência

  1. Bonaca MP, Catarig A-M, Houlind K, et al. Semaglutide and walking capacity in people with symptomatic peripheral artery disease and type 2 diabetes (STRIDE): a phase 3b, double-blind, randomised, placebo-controlled trial. The Lancet. Published online March 29, 2025. doi: 10.1016/S0140-6736(25)00509-4.